segunda-feira, 29 de junho de 2009

Monólogo do Cérebro

Quem ele pensa que é?
Sente todas as emoções e entrega-se totalmente, o trabalho duro quem faz sou eu!
Quem ele pensa que sou?
Não pára um só minuto de me enviar fantasias e mais fantasias depois sou eu quem tenho que organizá-las para que não se machuque.
Quem ele pensa que será?
Vive sem pensar no amanhã, pra absolutamente nada, quando o amanhã chegar o que fará?
Quem ele pensa que eu serei?
Quanto mais o tempo passa, mais difícil se faz a minha existência.
Quem ele pensa que é?
Se entrega a paixões tão infames, e depois corre a mim, para safá-lo.
Quem o coração pensa que é?
Que é mais importante que eu?
Se fosse, minha dona, ele estaria no meu lugar e eu no dele.
Não é proposital que eu esteja aqui em cima e ele aí no meio.
Coração, coração, podemos trabalhar em conjunto, por que não percebes que este é o jeito mais fácil?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Fragmentos...




Uma pétala, solitária, se desprende da flor em meio a um vendaval.
Uma página, conteúdo lícito, torna-se sem cabimento destacada do livro.
Porção de água salgada, não lembra a grandeza e misteriosa imensidão dos mares.
Fragmentos de mim, não te fazem recordar quem eu sou.
Fragmentos de ti, te fazem viva em minha memória.
Cada instante, em cada instância por qual passar.
Permanência solitária desprendida de mim por um forte vendaval;
que não tem cabimento sem o meu eu completo estar contigo;
que não lembra a grandeza nem o mistério de gestos e olhares que falavam por si.
Lembranças da ternura e fragilidade de uma flor.
Observações não compreendidas grafadas em páginas ininteligíveis.
Umidade salínica que não engrandece e elucubra a misteriosa imensidão de um sentimento não compreendido.
video

As Horas...


Para cá.
Para lá.
Pêndulo.
Ponteiro.
Tempo.
Vindo.
Indo.
Jamais voltando.
Prendendo pessoas.
Libertando vidas.
Trazendo arrependimentos.
Relembrando angústias.
Ao passar das horas, lembram-se do que não fizeram.
E elas não voltam mais.
Não voltam nunca mais!
Elas não voltam!
Elas não!
Elas!
As horas...


terça-feira, 16 de junho de 2009

Sexo Humano... ou Quase!

Hoje acordei com um desejo intenso de fazer sexo, descarregar os hormônios contidos, durante esta castidade forçada, por um ego emocional inválido. Fiz algumas ligações; Tudo certo. Dentro de alguns minutos receberia a resposta; O telefone toca. Me recuso a atender às voltas com minhas centenas de milhares de pensamentos; e me incomoda bastante: se a necessidade é minha, por que preciso envolver alguém mais? O que me garante que quando recebo uma resposta positiva seja sinal de que a pessoa também deseja o que eu desejo? Seria um caso de se objetar? Me entregar tal qual um animal à prática de algo apenas por um prazer superficial e limitado pelo tempo, curtíssimo tempo, sem levar em conta os sentimentos, a pureza, o sabor de alguma coisa mais densa que o que aflora apenas na derme? Acho que meus pensamentos, por vezes, não agradam muito ao meu corpo. As vezes meu corpo até faz coisas que só depois é que venho pensar sobre. Veja o caso: Sexo. Como humano eu deveria levar em conta "n" fatores, mas não o faço. Antes de tudo e de qualquer coisa, penso em mim. Em satisfazer a minha, prima, necessidade. Depois de roupas vestidas, fumando um cigarro, "amavelmente" pergunto: "E então, o que tem feito de emocionante?". As vezes nem mesmo lembro de perguntar alguma coisa. Tenho que voltar ao trabalho; sair com alguém importante; ver alguém da família que estivera hospitalizado; levar o cão ao veterinário; lavar o carro ou mesmo levá-lo à revisão. Sempre sou assim, ocupado de mais pra me preocupar com os outros. E assim, hoje, depois de recusar o recebimento dessas chamadas. Fico olhando as montanhas que se descortinam à minha frente. Acendo um cigarro e, chegando junto da janela, percebo que as pessoas já estão muito envolvidas com o seu dia-a-dia. Será que já fizeram sexo hoje? Esta semana? Este mês? Repentinamente me preocupo com elas. São seres humanos como eu. Egoístas tanto quanto ou mais que eu. Se preocupariam em querer saber se havia sido bom pra ambos? Em insistir se realmente era aquilo que os dois queriam? São humanos. Seres humanos. Praticariam um sexo humano? Cuidadoso, saudável, responsável, preocupado. Terno - por que não? - em que cada carícia pudesse se assemelhar a um perseguidíssimo troféu de grande competição? Um sexo humano, equivalente, igual, sem se tirar proveitos, nem se preocupar em perguntas forçadas, sofreguidões fingidas. Um sexo humano, por humanos e para humanos compartilharem entre si. Aceito as sugestões. E antes que eu pense mais em sexo. Deixe-me ir ao trabalho! Bom dia!

Desejo



Queima a pele.
Arde o coração.
Transpassa a alma.
Transcedentaliza-se.
Não há transformações capaz de extinguí-lo.
Nutre-se positivamente ante à negativas.
Urge erroneamente na sombra de outrém.
Avança todo e qualquer obstáculo.
Resulta, quase sempre, em ações doentias.
Jamais age de acordo ao esperado.
Não traz confiança em si.
Espera por resultados aos quais afugenta.
Compara-se sem equiparar-se.
Sensibilidade não o corrói.
Equívocos e interrupções são "maestra loquorum".
Proteje o corpo e insana a mente.
Seus valores são inexistentes.
O que anseia está em seu próprio fim.
E ainda assim, faz-nos bem sentí-lo.
Incompreendê-lo.
Satisfazê-lo.
Satisfazer-nos.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Presença



Às vezes nos mostramos tão "sonolentos" que esquecemos que alguém nos espera.
Tu podes não saber de quem se trata, mas isto não é o mais importante; importa que tu saibas aparecer na hora certa, no local previsto, e que encontre quem quer que seja.
Há tempos em que estamos "eletrizantes" imaginamos coisas, as mãos suam, o rosto embevece, a alma flutua leve; lembranças de algo que não aconteceu, esperança em algo que ainda acontecerá.
Eu jamais posso "conjugar" o termo nunca. As coisas acontecem involuntariamente. Mas, a tua presença, sempre é cobrada!
Loucura! Não sei quem és. Não sei como são os teus gestos, os teus olhares, tuas palavras, tuas inquietações, tuas divagações. Mas sei que existes. Sei que estás em algum lugar. À minha espera.
Uma presença é sempre importante. E um dia te darei a minha! E um dia me dará a tua?
Não quero uma presença ativa, confunde-se o termo.
Quero uma presença apenas.
Alguém que me olhe nos olhos e me veja.
Alguém que me toque nas mãos e me sinta.
Alguém que caminhe ao meu lado e viaje.
Alguém que comigo converse e sonhe.
Uma presença que não se imponha, que apenas se deixa estar.
Uma presença que não enfade, que não desgaste, que não reduza, que não venha somar. Apenas deixar o que está como já está.
Presença é importante demais para ser avaliada. Marcante demais para ser descartada. Presente de mais para ser esquecida.
A presença que quero, aquela que preciso, não está aqui.
A presença que sonho, aquela em que penso, não enxerga na escuridão.
E, infelizmente, é nela que estou!
Minha presença pode ser tua!
Tua presença pode ser minha?
Desfaça a escuridão. Debele o negror das trevas.
Maqueie o medo e o horror. Desfaça a fronteira do manto escuro. Mas deixe a luz de lado!
Entre, a vontade, traga-me a tua presença!
Sem nada em troca. Apenas por estar. Apenas por ficar. Apenas para permanecer indelével!
Quero a tua presença!
Queres a minha?

Diálogos I


20/04/2001- 21h
...
Por duas vezes ameaça levantar-se, encontrando em ambas um impedimento enérgico. Decorrido algum tempo, a euforia provém, da vontade de se manterem o status quo; sentem-se alegres, embora internamente minados pelas muitas incertezas que invadem seus corações. Os argumentos começam a esgotar-se com rapidez e o esforço para se distraírem é cada vez maior.
- E se ela desistir? Se não mais quiser entregar o bebê?
- ?
- Ela pode desistir, não pode? Eu já tinha tantos planos, queria que ele fosse igual a você!
- Não! Nós não cometeríamos o erro de tantos pais. Não devemos impor as nossas vidas como meta ao nosso filho. Ele desenvolverá a sua própria personalidade. Se depender de mim – é claro que não devemos influenciá-lo -, será engenheiro, advogado ou, quem sabe, diplomata.
- Diplomata? Não me lembro de tê-lo ouvido falar em diplomacia anteriormente.
- Esse é um segredo meu... mesmo por que zombariam de mim: “Você? Diplomata?” Saiba que meu espírito aventureiro introvertido foi desenvolvido por Somerset Maugham, e a Diplomacia era a carreira indicada para a realização destes sonhos, pelo menos no quesito viagens.
- E, por que não se tornou escritor, como ele?
- Escritor, eu?!?!? – risos. Cara, as palavras não seriam capazes de reproduzir meus pensamentos! Nem eu saberia reproduzi-los!
- Hummm, já é uma virtude socrática: “O saber consiste em saber que não se sabe.”
- Acho que é necessário muita coisa mais além disto!
- Você sempre me surpreende!
- Tenho um bom professor! – risos.
- Suas mudanças de gênio súbitas e constantes me encantam, sabia? Um momento pertence completamente ao passado... entonação da voz, idéias, ações e, de repente, vejo-te transmutado. Na faculdade, as vezes, analisávamos o problema e o que resultava dele, mas, as fases intermediárias são sempre bem mais interessantes...
- Agora me senti um terrível caso clínico... sem solução!
- Todos somos – risos. O que varia continuamente é o resultado desses efeitos sobre nossa psique. Venha cá, deixe de andar de um lado para o outro e sente-se aqui. Não me canso de dizer o quanto você é importante pra mim. Eu sou importante pra você assim?
- A minha forma de gostar é completamente singular, gosto de sua companhia, gosto de você. Freud deveria ter se aprofundado nas relações entre paciente e seus analista. É um problema tão importante quanto o que lhe deu origem...
- Sua dependência é tão acentuada assim?
- Bastante, é quase total...
- E qual das duas razões é a maior?
- As duas se completam e são inseparáveis. A segunda é quase filial, estou aprendendo contigo a falar e a viver com o mundo, a ser “sociável”, e minha gratidão se traduz na...
- Na...?
- É – risos. É lá que se realiza o mito de Aristófanes!
- Você tem uma boa memória.
- Não seriam bons sentidos? A excitação é singular, sou ao mesmo tempo teu amante e teu amigo!
- Que prodígio! Creio que agora não precise mais do amante, já tem ele por completo!
...

*MRP falece no dia seguinte às 9h.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Amor?... O que é isto?


Que amor é este?
Que não se prende fielmente;
Que não trata de lealdade;
Que fere;
Que mata aos poucos impulsivamente;
Jamais pretendo amar...
Ou mesmo descobrir o significado desse termo!
Não pretendo trair alguém que sinta prazer em minha companhia.
Não pretendo magoar alguém que busca me compreender.
Não pretendo fazer chorar quem me faz rir.
Não pretendo ver o outro como não veria a mim mesmo.
Quero fazê-lo sorrir sempre!
Que a minha silenciosa companhia seja um bálsamo!
(Há quem queira isto!)
Que os momentos de prazer não sejam “eternos enquanto durem”, mas, que durem enquanto se eternizam.
Que juntos possamos falar bobagens e não nos preocuparmos com o tempo que gastamos com trivialidades.
Que juntos venhamos a rir do sorvete que sujou o cantinho da boca, aquela camisa que há tanto queríamos, as mãos que ansiamos pelo toque.
Que estejamos juntos, calados, parados, apenas desfrutando de ambas as presenças.
Que possamos estar, em todos os momentos, apenas estar!
Que compreendamos o que quer que seja por mais que não tenha sentido algum.
Que consideremos importante a discussão sobre um tema qualquer, por mais que não nos interesse naquele momento.
Que não nos separemos por um filme que passa na tv, ou por um som externo aos nossos sonhos.
Enfim, que sejamos um, afinal uma entrega total requer isto.
Portanto, não sinto-me preparado para isto, mas quando acontecer saberei retribuir, pois fará diferença para nós dois.
Seria isto amor?

Carta de um suicída

Parece que não teria coragem de fazer isso mesmo. É bem verdade que nunca havia pensado nesta hipótese. E, hipoteticamente falando, você nunca teria me deixado escolher isto. Mas, ao olhar pra esse apartamento vazio de tua presença, que marca todo e qualquer lugar e objeto que vejo, não tenho outra coisa a fazer, ademais, tenho 35 anos e já vivi muito! Pra que mais um pouco? O que vivi se fez suficiente!
Sabe? Quando estiveres a ler esta carta não estarei mais aqui, e se não a leres com certeza estarei sofrendo e talvez te fazendo o mesmo tanto.
Pensei tanto, repassei tudo que nos aconteceu nos últimos quatro dias e não me vejo sendo feliz de outra forma.
Me disseste que sou o estorvo da tua vida e que só te causo traumas recônditos. Acredito que não seja assim! Porque o mesmo tanto que faço por ti, recebo de volta em minha simplicidade de ser. Não sou nenhum ser perfeito, tive e tenho meus erros e minhas atitudes tolas. Mas porque sempre levas tudo ao pé da letra? Porque sempre tem que me demonstrar que tendo vivido alguns anos mais que tu eu deva estar sempre te consolando, te entendendo, te compreendendo e tu nunca o fazes por mim? Qual foi o meu erro desta vez? Diga, mas diga em bom som, para que eu ouça e compreenda, mais uma vez.
Estou cansado, a perseguição que há no exterior, agora passa-se ao meu interior. E o que fazer então? Me sentir abandonado? Me sentir frustrado por não ter te podido proporcionar aquilo que tu pensas ser a felicidade? - Tu nunca sequer se perguntou ou me perguntou o que sinto e entendo por felicidade. Acho que a concepção estaria muito à face. Mas pelo menos tu demonstrarias, uma vez, preocupado comigo, com o que sou e o que sinto, que sou importante.
Interessante é que sinto toda a vida em mim! Sinto tanta vontade de viver, mas viver pra ser meu! Sim, ser meu e de ninguém mais. Jamais serei objeto de outrém novamente. Só que, se continuar vivendo, não controlarei os meus impulsos mais carnais e voltarei à, como tu dizes, fazer outros sofrerem, simplesmente pelo fato de demonstrar-lhes tanto afeto e cobrar isto de volta.
Ninguém há como tu! Me dizias ainda ontem, então deixaremos uma lacuna no mundo! Se digo que sofro, o faço por aqueles que não me conhecerão. Não por ti ou por mim. Há em mim a certeza de que vivi muito ao teu lado, intensamente, agora chega! A vida que há em mim se esvai. Porque não consigo viver sozinho, e não quero isso pra mim. E na impossibilidade de ver outra pessoa comigo de bem com a vida. Me furto o direito de fazer com que outros sintam sensações tão horríveis quanto a cobrança de um sentimento que não seja recíproco e o qual não queiram ou não possam me dar.
A felicidade pulsa em todo o meu ser nesta última hora.
Adeus, amei-te, amo-te ainda, e amarei-te, agora, pela eternidade.

terça-feira, 9 de junho de 2009


Freedom Express!

Tudo o que se passa, não passa, deixa um pouco em nós!

Tudo que era não foi, permanece até que demos conta de sua existência!

Tudo que existia, não deixou de existir, apenas se transformou;
Aquilo que vemos agora, depois pode não ser mais, mas, a essência sobrevive;
O que pensamos agora, podemos não pensar em alguns minutos, mas isso não significa a sua impossibilidade;

O que é agora, pode não ser depois, ainda que pra outros continue sendo;

A vida é assim, porque eu seria diferente?

Ninguém é imutável,

Nem todos mudam como queremos,

Mas tudo muda de acordo com o tempo e com as necessidades que se fazem!

Alguém sempre dizia...




Alguém sempre dizia que a amava...
Alguém sempre dizia que ela representava o mais importante acontecimento de sua vida...
Alguém sempre dizia que estariam unidos pra sempre....
Alguém sempre dizia que, afora as circunstâncias, para sempre "seriam"...
Alguém sempre dizia...
E a criança acreditou!
Menino tolo!
Com a cabeça nas nuvens;
Fantasiando e vivendo de sonhos idiotas;
Procurando um fim magnífico para cada frase;
Inventando uma razão para se aproximar de alguém, e ainda assim mantendo-se distante;
Intentando tornar-se sombra e viver às sobras.
Imbecil!
Esperando migalhas de honra;
Esmolas de gratidão;
Honrando em troca de honra;
Dando o tudo de si, por um agradecimento visual que fosse;
A escada não o conduz às alturas;
Sua vaidadde adormecida o tem como seu maior inimigo;
O Candeeiro não ilumina o teu caminho;
Muralhas desabam às suas costas;
Precípios, há apenas, à sua frente!
Estás só!
Não te apercebes?
Não te vêem, a tua fealdade afeta os egos...
Do teu altar profano tiveste saudade...
Agora chorem todos por ti.
Não há sentimento que o abone: coração seco, frio e vil.
Permanecer é muito pra ti!
Estar é pedante de mais!
Partir é contrário ao teu ser.
Chorem por ti!
Alguém sempre te dizia! E agora? Que me dizes tu? Estás só e ninguém há que se aproxime de ti!
Tola Criança...



Prelúdio Lunar


Mais uma vez deto-me aqui;
À admirar-te...
Nos meus devaneios mais torpes...
Ouso pensar como seria tocar-te um dia...
Um dia!
Uma noite!
Vislumbrando o teu movimento magistral pelo firmamento...
Rio-me da cega ignorância que me acerca;
Quisera eu ter asas!
(Não como as de Schoemou!)
Quisera eu ter asas potentes,
As que me levassem ao teu encontro...
E que me sustentassem, ainda assim, para que te trouxesse comigo.
O meu Regaço te caberia?
Caberia em ti a demonstração – fútil – de tão pouco que tenho a te dar?
Tu tens o céu.
Mesmo todo o firmamento!
Escolhes – numa fulgaz liberdade – a que horizonte ir.
(Vejo-te assim!)
Que poderia eu dar-te?
Um sentimento sincero?
Uma alma desprovida de crenças tempestuosas?
Um coração gélido?
Um olhar vago, antes sincero?
Um toque distante?
Um caminho errante?
Oh, não!
Permaneça radiante!
Há que brilhe e eu possa admirar-te o fulgor.
Na minha sempre eterna noite...
Ao crepitar das chamas dessa intensa fogueira...
Bailar evocado pelo som da música que apraz aos ouvidos...
Sentindo-me envolto à Dança das Múmias...
Persigo-te, e não precisas saber de tal!
Não ousaria dizer-te!
Não maquinaria afastar-te de vez e para sempre.
Pra sempre.
Há que tê-la!
Seja em uma contemplação noturna perene.
Seja em um momento a sós, notívago, com Orfeu!
Seja assim e consume-se pela eternidade.
Oh, Deusa dos Luminares!

Devaneio...

Há os que entram e saem.
Há os que somente entram.
Há os que somente saem.
Há os que se deixam.
Há os que deixam.
Há coisas na minha cabeça.
Há um tantinho de cabeça nas coisas.
Há sentido em ser.
Há vazio em ter.
Há esperança em sentir.
Há sentimento em esperar.
Em tudo há alguma partícula de algo.
Em cada algo há um rastro de tudo.
Nada se faz do acaso.
Para o acaso.
Pelo acaso.
O erro se dá para que se busque a sabedoria.
A sabedoria se dá pela compreensão e aceitação do erro.
Os devaneios mais sedentos da alma, são a necessidade do que se busca para o maior entendimento de si mesmo.
Nas horas mais tranquilas. Devaneios.
Nas horas mais aturdidas. Devaneios.
Momentos diversos. Sensações perversas.

Solidão...

Uma casinha solitária,
Um assoalho, passos surdos,
Solidão, incompreensão!
Um morro distante, a frieza da neve em seu cume,
Solidão, imensidão!
O rio a correr, sem peixes a viver,
Vidas que se perderam pra sempre,
Solidão? Liberdade!
O que se perde pode ser achado, mas o que se acha nem sempre é perdido!
Solidão!
Solidão!

Últimas palavras... Será?

Na realidade não é bem uma carta, é mais um desabafo. Um desabafo de alguém que não consegue compreender muita coisa, e que, por mais que viva e tenha vivido - algo que se torna necessário enquanto o fôlego não se aparta das narinas! - simplesmente limita-se à não compreensão de fatos que o deixam à deriva no oceano da vida.
Respostas por vezes, nem sempre são necessárias, quando dos questionamentos, mas: Como compreender?
Como compreender que um sentimento puro, oferecido sacrificialmente possa ser renegado?
Como compreender que momentos tão ternos, possam ser lançados no acaso?
Como compreender que pessoas, seres humanos, sejam capazes de não demostrar sequer um mínimo de valor pelo seu próximo, e ainda pior, por aquele com quem dividiu a mesma cama? Os mesmos sonhos? As mesmas vontades e dificuldades?
"Em verdade vos digo", já dizia O Messias, e nunca ouvimos as suas palavras.
Nunca parei pra perceber que o que tu dizias sentir por mim nada era, senão palavras lançadas ao vento e que provinham apenas da boca pra fora.
Pergunto-me as vezes por que fazias isto!
Fazias com que eu me sentisse tão bem, me sentisse o mais nobre dos humanos, a pessoa mais querida, o vivente mais vivo e carregado de garra para contornar todos os obstáculos e barreiras.
Agora, ficamos um sem o outro, estou partindo e não mais pretendo voltar. Será uma viagem eterna, sem despedida, sem olhares interrogadores - ficará apenas a lembrança do teu olhar, ao não compreender o que eu te dizia - nada além do que me deste.
Fui radicalmente fulminado pela tua insegurança e insapiência!
Deixasse-me na ignorância! Que eu não soubesse de nada, mas não optaste pelo óbvio, antes quiseste se sobrepor a verdade universal da vida. Quiseste te parecer obsequioso, reto, íntegro, e, no entanto, destruíste a minha forma de te olhar, de te desejar, de te querer.
Sei que jamais lerás estas palavras, e se leres, com plena certeza não compreenderás. Não compreendes nem o que se passa contigo. Como poderia se dar o trabalho de se importar comigo?
Quem sou eu pra ti?
Apenas um "alguém". Mas digo-me um alguém que pensava mais em ti que em si próprio; um alguém que vivia mais pra ti que pra si mesmo; um alguém que acima de seus próprios esforços e vícios sonhou em se dedicar inteiramente a ti - deste não fizeste caso.
Então o que dizer?
Não detenho-me em ser óbvio, obviedade aos fracos e perdidos, encontro o meu caminho e, sem emoções, devolvo as minhas perdas, caiam os falsos e sejam trucidados por sí mesmos os enganosos e mentirosos; que não tenham paz nem por um segundo sequer os que fazem se perder os inocentes e que acreditam em um amanhã...
Vou-me! Ficas aí com os teus problemas que tu mesmo criaste! Sinceramente espero que os resolva, pra que ninguém mais passe o que passei contigo. Há que a dor se acabe, que as lágrimas se minem, que o espírito não mais devaneie, que o coração não mais se aperte e que a saudade - ah! essa fada muda que nos rodeia! - não mais se encarregue de repetir teus risos pelos corredores, teus toques ao tocar o corpo à cama, teu sussurros ao cair o anoitecer, teus olhares circunstanciosos de encontro ao ocaso!
Jamais te esquecerei!

O Gesto.

I
Ingratidão!
Jamais espere retribuição de nada!
A flor, o gesto, a palavra, a vivência!
Gratidão!
Atiram-na pela janela e esmiúçam aqueles que a exaltam!
A flor, o gesto, a palavra, a convivência!
Ingratidão!
Jamais expresse seus sentimentos!
O gesto, a palavra, a sobrevivência!
Gratidão!
O caminho fica raso sob o seu passar!
A palavra, a subserviência!

II

As pessoas não conseguem entender...
E por não entender, ou me ver em si mesmas, imaginam-me como mero receptor de agradecimentos!
Nada faço em busca disto!
Pessoas não sabem agradecer!
Não me venha com suas palavras tolas!
Com seus gestos vis!
Faço e faria pela eternidade!
Mas por mim o realizo, sinto-me bem, e pouco me importo como se sintam os outros.
Egoísta!
Frio!

III

Não se calem, joguem-me uma torrente de dissabores, e nem assim usufruirão do meu ódio!
Ele calou-se ao desprezo!
Mostre-me os meus erros mais infames, as minhas mais sombrias perspectivas falhas e ainda assim, nada tirarão de mim!
Nenhum sentimento, nenhum comportamento!
Não sou reflexo das tuas ações, mas reflexo daquilo que opto por ser!
Saiba: teus ódios mortais não podem me abalar; teu desprezo infundado me abre os olhos; e os teus “achismos”...
Oh! Insanidade dúbia!
Oh! Malevolência remediável!

IV

Não podes me odiar, teu desprezo não existe em ti.
Dói-te o fato de que em mim não exista amor!
Não posso te presentear uma flor!
Gesto digesto não receberás!
Palavras doces banidas estão do meu vocabulário!
Vivência e convivência nada mais são que meios supra de sobrevivência no mundo que eu mesmo construí!
Nele não podes habitar!
Não tens valor para tanto!
Não discernes sabres e sabores de lágrimas!
Não lanças ao pó a tua dor e assimila o que tem a te dar!
Vil!
Indócil!
Mundo de fantasias!
Montanhas azuis cobertas de pedras intransponíveis!
Eis a minha felicidade!

Pedras...

O caminho longo, nunca é utilizado, por ser mais doloroso!
O caminho estreito, é quase sempre esquecido!
O caminho que nos leva de encontro ao bem e ao bom, quase sempre não trilhamos por pensá-lo angustiante.
O caminhos curtos nos atraem mais. Nos dão mais razões para por eles andar.
Não nos importamos de chutar uma ou duas pedras que aparecem. Chutamos mesmo e, elas rolam ladeira abaixo. Mais tarde não temos pedras pra construir uns degraus que serão necessários à nossa chegada ao cume.
Caminhos curtos conduzem à um monte. Que possue aclive e declive bem acentuados!
Quando se percebe no topo; já é hora de descer.
Daí tudo deveria voltar ao normal. Mas o esquecimento de quem nos aplaudiu, nos deixa mágoas.
Há caminhos longos. Dolorosos. Forçosos. Que também levam a cumes. Assim como caminhamos passo a passo, lentamente para chegar ao seu cume. Lá ficamos. Descansamos. E só depois de ter gozado a ventura de conseguir galgá-lo é que nos "apercebemos" em descer. Há uma pedra aqui, outra bem próxima ali.
Mas, não as chutamos! Pomo-las em nossos alforjes. Elas serão a edificação de nosso lugar no cume. Nos farão lembrar da subida e nos darão o merecido repouso; pois um alicerce de pedras é duradouro e firme.
Olhe-as! As pedras. Elas não estão em nosso caminho por acaso!
Chutá-las? Correr o risco de deixá-las desmoronar o seu caminho à frente? Ou ainda, sentir necessidade delas depois?
Opção sua.
Ninguém te tira isto!!!!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Descobertas...

As vezes descobrimos que:
Um amigo pode vir a ser um grande amor.
Um grande amor pode se tornar um inimigo mortal.
Um inimigo mortal pode ser a única pessoa que nos estenda a mão quando todos nos viraram as costas;
Quando todos nos viraram as costas, qualquer um que olhe pra nós é visto com apreço, por mais que não tenha.
Um amigo não é uma flor para se prender cultivável em um jardim.
Um jardim pode ser o nosso lugar de refúgio e isso não significa que outros se sentirão seguros ali.
Onde as pessoas mais se sentem seguras, mais chances elas tem de ser atingidas;
Quando pessoas são atingidas elas sofrem.
Quando sofrem elas recordam!
Que sofrem como tantas outras.
Que por ela foi derrubada em algum ponto por mais que ela não tenha se dado conta.
Que aquelas pessoas se sentiram atingidas quando mais se viam seguras.
Que se viam seguras pelas belezas de um jardim que estava posto diante de seus olhos, mas que fora cultivado por outrém.
Que nem sempre se dá o real valor às flores dos jardins.
Que não vale a pena virar as costas às flores que emanam da amizade.
Que pode se valer da invulnerabilidade de outros.
Que essa invulnerabilidade pode culminar em um sentimento forte.
E que esse sentimento forte pode aplacar toda e qualquer amizade!