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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Assolação

O médio planeta habitado gira em sua órbita.
Eu permaneço inerte nesta imensidão.
Não quero compreender sentimentos.

Os mares rebatem a aproximação da "porção seca" com suas ondas vorazes.
Eu o observo em tranquilidade e paz (na minha guerra interior).
É impossível não notar sua vibração.

O firmamento anuncia o Magestoso Astro a raiar.
A minha sina se reinicia sob o cantar dos pássaros.
É inútil tentar fugir de uma linha já dantes traçada.

As estrelas pontilham o céu.
Eu as admiro, são como jóias da Astro-mãe.
Sua beleza é inconfundível.

Os rios secam em seus leitos antes verdejantes.
Fui eu quem retirou a primeira árvore de lá.
O meu pecado faz mal a toda a humanidade.

As árvores padecem sob a insolação.
Fui eu quem provocou o desmate.
Minhas ações reverberam o que vai na minha vil alma.

As crianças choram sem um motivo.
Eu as engano sempre que sobrepõe-se a minha ironia.
São surdas, cegas e mudas, não se apercebem de nada.

A minha memória está fraca!
Sou uma sílfide que bebe o próprio veneno.
Num mar de sangue devo padecer.
Morte, doce alento que lenta e zombeteira me acerca!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Soberbo

Segredo inconfessável.
Desejos íntimos,
No sentir do olhar sobre a pele.
Uma carícia por fibras mais sensíveis,
Uma dor aguda, qual estaca cravada ao peito.
Lágrimas amargas,
Pensamentos lascivos que conduzem ao nada.
Coração sensível e maldoso.
Sonhos que jamais se concretizarão,
Realidades indispostas.
Passado negro para um futuro insignificante,
Ansiando pela escuridão ainda que seja agradável a luz do dia.
Coniuge da vida.
Amante da morte.
Sufocando em busca de ar,
Soterrando-se cada vez mais em irretornável sepulcro.
Um ser vazio,
Que ainda que morto faria valer sua lacuna.
Uma lápide sem epitáfio.
Retorno a um respirar incompleto.
Admirador das aves,
Quando apodrece preso a um solo infértil.
Orgulho bobo de uma águia cega,
Abutre abandonado pelos seus iguais.
Inatividade invasiva.
Cardio petrificado.
Gélido olhar.
Dissaboroso aposte.
Imóvel cor.
Atributo nefando após o terceiro dia.
Favor imerecido após três mil e duzentas anos de lamento laico.



Zu ewigkeit!